O Teatro Mágico - Xanéu Nº 05

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Espelho

Acho que é disso que as pessoas têm medo quando ficam sozinhas. É desse ficar-se consigo mesmo. Dessa embaraçosa companhia com a qual nunca nos acostumamos: a nossa própria. O medo de saber-se desconhecido... às vezes perigoso, indecente. Por isso procuramos desesperadamente estar com alguém, não importa quem, que nos livre de nossa indesejada presença.
É duro saber que não há mais ninguém por perto além de si. Tememos o silêncio. Mais do que isso, tememos quebrá-lo e ouvir o que temos a dizer a nós mesmos, sobre nós mesmos. O silêncio incômodo entre dois estranhos na sala não é tão insuportável quanto esse.
Cada um é, para si, a pessoa mais desconhecida do mundo, a mais misteriosa, que está sempre a surpreender(se), a enganar(se), a esconder(se). Rotulamos e fazemos juízo de quem quer que seja, mas ninguém se atreve a julgar a si mesmo, afinal, como definir alguém a quem se vê tanto e se sabe tão pouco?
Como consolar-se depois de ouvir o próprio grito? Como encarar a imagem no espelho cada vez menos familiar, mais ameaçadora? Para onde ir se não é possível fugir de si?


(Rodrigo Ribeiro)

1 comentários:

Ana Banana disse...

Não sei se somos estranhos conhecidos de nós mesmos ou se somos profundamente complexos para nos conhecermos realmente (ou pior, é tudo tão simples que complicamos com teorias). Mas vejo com grande fascínio esse mistério e essa busca por respostas. Grande abraço!